quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

“Há algum milagre para ser magra (o)?”


Texto publicado dia 30/11/12 no Jornal Opinião


      “Fechar a boca”, respondeu-lhe a amiga. “Ah, mas isso é impossível, eu adoro comer, principalmente doce...” – disse Joana, desanimada com dificuldade de emagrecer, ainda mais com a chegada do verão.

       O trecho acima poderia ser um começo de um conto, uma história qualquer, porém com um tema bem atual. Com a chegada do verão, as queixas em relação a estética e principalmente sobre as “gordurinhas extras” aumentam consideravelmente no consultório, em sua maioria advindas do público feminino. Percebemos como as mulheres se preocupam, ficam ansiosas, as vezes sem sono e até deprimidas, por não estarem satisfeitas com seu corpo. “Como poderei colocar um biquíni?”, dizem muitas... Será que existe uma receita milagrosa? Será que para ser magra é preciso fechar mesmo a boca e viver com fome? Será que preciso fazer uma cirurgia bariátrica se eu quiser ser magra?”

      Gostaria de compartilhar com os leitores algumas sugestões básicas que sempre dou as minhas pacientes desejosas por emagrecer. É preciso esclarecer, primeiro, que cada uma de nós tem um biótipo físico. Podemos dizer que há 3 biotipos, aquele da “magra e longínqua”, mais incomum, que em geral são aqueles das modelos, que não precisam se esforçar para emagrecer; há o biótipo da “baixinha e parruda”, o mais comum da mulher brasileira, típico de bailarinas e dançarinas, que são daquelas mulheres com facilidade em ganhar músculos, mas que também podem ganhar uns quilos a mais após certa idade se não se cuidarem; e há um biótipo médio, que são das mulheres de altura média e que também teriam um peso médio.  É preciso descobrir qual o seu biótipo e aprender a respeitá-lo. Todos eles têm alguma vantagem e desvantagem. E todos têm a sua beleza.
      Existe milagre para ficar magra? Não. Desde “dietas de emergência” a uma intervenção mais drástica, como a cirurgia bariátrica (recomendada em casos mais extremos), só irão funcionar, se a pessoa fizer uma reeducação alimentar associada a exercícios físicos regulares. Isso não é novidade para você, certo? Pois é, essa é a velha e única fórmula para permanecer magra (e saudável). Até quem faz a cirurgia bariátrica volta a engordar, se não mudar esses hábitos. O problema é que as mulheres insistem em acreditar em remédios milagrosos e pílulas da internet, que - na verdade - são apenas um escape psíquico para o enfrentamento da dor de se sentirem menos aceitas devido a imagem que acham que tem (e que muitas vezes, nem tem). Sem contar que a comida também é escape para carências e frustrações, por isso a dificuldade que existe para se emagrecer, e a seriedade sobre este assunto.
      Entretanto, além da reeducação alimentar, é interessante que as pessoas possam por em prática mudanças na maneira de comer. Aqui no Sul, muitas vezes vejo que as pessoas comem rápido, e falam bastante durante as refeições. É preciso comer devagar; mastigar lentamente e bastante, saborear a comida (na segunda garfada, a pessoa já começa a se sentir saciada); colocar porções menores no prato, pois temos a tendência de querer comer tudo o que está nele;  e evitar falar, porque as vezes, conversando, a pessoa não se concentra na refeição e come mais do que deveria.
       Assim, podemos concluir que somente uma mudança nos hábitos de vida, ou seja, somente através de uma reeducação alimentar, agregada a exercícios físicos e uma mudança na maneira de comer, poderão não somente deixar as pessoas mais magras, como mais saudáveis. Se essas dicas não funcionarem, ou a sua dificuldade for muito grande em praticá-las, é recomendável buscar ajuda médica e psicológica.

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